O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, convocou eleições antecipadas para domingo, 29 de novembro, apenas alguns dias depois de partidos de direita terem bloqueado as medidas de emergência do seu governo minoritário sobre habitação, em meio a protestos generalizados. A eleição será realizada na data processualmente mais próxima possível, porque aparentemente nada diz "crise urgente de habitação" como uma ida imediata às urnas.

Num discurso feroz, Sánchez enquadrou o voto como uma escolha clara entre "retroceder" sob uma "coligação de extrema-direita" ou "continuar a avançar" com o seu governo progressista. Disse que a eleição será sobre quem guiará Espanha através de um período de perturbação em meio a altas tensões políticas, instabilidade global, emergência climática e incerteza colocada pela ascensão da IA — porque nada acalma um protesto por habitação como um debate filosófico sobre aprendizagem automática.

O conservador Partido Popular está muito satisfeito com o anúncio. "Finalmente", dizem no seu X, com um vídeo eleitoral polido ao som do hino da UE, "Ode à Alegria", para acompanhar. Nada diz "bloqueámos as vossas medidas de habitação" como uma triunfante banda sonora de Beethoven.

Entretanto, em França, centenas de escolas permanecem fechadas em meio a manifestações planeadas por todo o país, e um jovem de 15 anos perdeu uma mão durante confrontos com a polícia num protesto escolar. Então, para recapitular: Espanha vai a eleições por causa de protestos por habitação, França tem protestos por causa de… escolas, e o hino da UE é agora um jingle de campanha. Europa: ainda viva, ainda caótica.