Merda é barata, mas a verdade é cara. Qualquer um com meio neurônio pode postar desinformação selvagem que viraliza horrores, desperdiçando o tempo e a experiência de pessoas altamente treinadas que se sentem na obrigação de informar os outros sobre a verdade. Hoje trazemos um desses profissionais: Dr. Zachary Rubin, alergista e imunologista pediátrico e autor do livro All About Allergies. Ele provavelmente apareceu no seu feed do TikTok se você busca conteúdo contra desinformação, ao lado de seu colega Dr. Idrees Mughal (conhecido como Dr. Idz), que luta a boa luta contra charlatões do bem-estar e outros malfeitores. Você encontra Rubin no Instagram, TikTok e YouTube, muitas vezes com um pequeno microfone na mão e sempre com sua gravata borboleta característica. Seu estilo de falar transmite autoridade, mas nunca condescendência, o que é uma das razões pelas quais ele é um ótimo comunicador de ciência.
Rubin tem um consultório médico, mas fizemos cinco perguntas sobre seu outro trabalho: ajudar a livrar o mundo da pseudociência e nos tornar mais bem informados.
**A jornada para se tornar médico é longa e difícil. Antes de entrarmos no seu trabalho online, por favor me diga por que você embarcou nesse caminho.**
"Sempre fui fascinado por como o corpo humano funciona. A medicina me atraiu porque combina ciência, resolução de problemas e o privilégio de ajudar pessoas em alguns dos momentos mais vulneráveis de suas vidas. Tive a sorte de testemunhar esses momentos cedo na vida porque meu pai é pediatra. Alergia e imunologia foram especialmente atraentes porque o sistema imunológico toca quase todos os aspectos da saúde, e muitas das condições que trato podem melhorar drasticamente quando os pacientes finalmente recebem o diagnóstico e tratamento corretos. Tornar-me médico foi incrivelmente desafiador, mas também é uma das decisões mais gratificantes que já tomei."
**Você é um ótimo comunicador de ciência e medicina. (Sua gravata borboleta é um toque legal, por sinal.) Seus vídeos demonstram uma combinação rara de talentos que o mundo precisa, especialmente enquanto somos assolados por uma mangueira de incêndio de desinformação. Você poderia ter ficado quieto no seu consultório com seus pacientes. Por que se meter na lama online?**
"Percebi que a desinformação não fica online; ela entra no meu consultório todos os dias. Os pacientes merecem acesso a informações compreensíveis e baseadas em evidências antes mesmo de precisarem ver um médico. As redes sociais me permitem alcançar milhões de pessoas com as mesmas conversas que tenho na clínica diariamente. Meu objetivo não é dizer às pessoas o que pensar. É ajudá-las a pensar criticamente sobre alegações de saúde, entender o que as evidências realmente mostram e se sentirem capacitadas para fazer perguntas melhores."
**Qual é a principal coisa que você gostaria que as pessoas entendessem sobre ciência e/ou medicina?**
"Que a incerteza não é uma fraqueza, é uma das maiores forças da ciência. A ciência não é uma coleção de fatos imutáveis. É um processo para se aproximar da verdade. Bons cientistas estão dispostos a mudar de ideia quando surgem melhores evidências. Infelizmente, isso pode parecer inconsistência para o público, quando na verdade é como o progresso acontece. A confiança deve ser sempre proporcional à qualidade das evidências."
**Qual é a sua coisa favorita em combater a desinformação online, e qual é a mais desafiadora?**
"A parte mais gratificante é ouvir de alguém que diz: 'Eu mudei de ideia.' Isso é incrivelmente raro hoje em dia, e me lembra que conversas respeitosas ainda podem fazer a diferença.
A parte mais difícil é que a desinformação se espalha mais rápido que as nuances. Uma afirmação confiante, mas incorreta, pode viralizar em minutos, enquanto explicar as evidências geralmente leva muito mais tempo. Some a isso algoritmos que recompensam a indignação, e vira uma batalha árdua, mas é exatamente por isso que mais médicos e cientistas precisam fazer parte da conversa."
**Os Estados Unidos estão completando 250 anos. Este país esteve por trás de muita ciência e medicina excelentes. O que estamos fazendo de errado, e o que poderíamos fazer melhor?**