Para os aproximadamente 70% das pessoas que recuperam peso após parar medicamentos como Ozempic ou Wegovy, a ciência tem uma nova proposta, levemente medieval: uma queimadura controlada do intestino. Pesquisas apresentadas na Digestive Disease Week® (DDW) 2026 sugerem que um procedimento minimamente invasivo chamado resurfacing da mucosa duodenal pode ajudar a manter essa perda de peso duramente conquistada sem dependência vitalícia de medicamentos.
A autora principal, Dra. Shelby Sullivan do Dartmouth Health, destacou o problema óbvio: "Por mais eficazes que sejam os medicamentos GLP-1, muitas pessoas param de tomá-los devido ao custo, efeitos colaterais ou simplesmente por não quererem tomar um remédio a longo prazo". A subsequente recuperação de peso, ela aponta, é uma "enorme necessidade não atendida". A solução proposta envolve um endoscópio e um pouco de calor, mirando no duodeno - a primeira seção do intestino delgado.
O procedimento abla, ou queima, o revestimento interno danificado do duodeno para estimular o crescimento de tecido novo e mais saudável. A teoria, testada no ensaio REMAIN-1 em andamento, é que esse 'resurfacing' desencadeia um reset metabólico duradouro. Dados iniciais de 45 participantes, que haviam perdido pelo menos 15% do peso corporal com tirzepatida, mostram promessa.
Seis meses após interromper o medicamento, os 16 participantes que receberam um procedimento simulado recuperaram cerca de 40% mais peso do que os 29 que receberam o tratamento real. Aqueles com resurfacing mais extenso mantiveram mais de 80% da perda de peso, recuperando apenas cerca de 3 quilos em média, em comparação com aproximadamente o dobro no grupo de controle. Notavelmente, a diferença de benefício aumentou com o tempo.
"O que é particularmente encorajador é que o benefício parece aumentar com o tempo em vez de desaparecer, e que se comporta como um medicamento em termos de resposta à dose", disse a Dra. Sullivan, sugerindo que estão "mirando na biologia certa". O procedimento supostamente tem uma recuperação rápida, com a maioria dos pacientes voltando ao normal em cerca de um dia, e nenhuma complicação séria foi relatada nesta coorte.
A lógica mira na fonte: o intestino delgado produz muitos hormônios afetados pelos medicamentos GLP-1. Dietas ricas em gordura e açúcar podem danificar o revestimento duodenal, contribuindo para problemas metabólicos. Ao restaurar esse revestimento, o procedimento visa redefinir a resposta do corpo aos alimentos. O maior estudo REMAIN-1, com mais de 300 participantes, está totalmente recrutado, com dados principais esperados para o início do quarto trimestre de 2026.