Num impressionante espetáculo de 'nós dissemos onde as coisas estão', um novo ataque aéreo durante a noite danificou um dos principais armazéns usados pela Organização Mundial da Saúde (OMS) na Ucrânia para armazenar suprimentos médicos humanitários na região de Kiev. Esta é a terceira vez em três meses que uma instalação de armazenamento usada pela OMS é atingida, porque, claramente, o memorando sobre não bombardear hospitais e depósitos de suprimentos continua a perder-se na tradução.

O porta-voz da OMS, Christian Lindmeier, deu a notícia aos jornalistas em Genebra, explicando que entre 3 e 4 de setembro, um ataque aéreo na oblast de Kiev afetou um dos principais armazéns da OMS. O acesso ao local permanece restrito devido ao fumo intenso e a preocupações de segurança, e as avaliações dos danos e perdas de stock estão em curso. Por outras palavras, nem sequer conseguem chegar perto o suficiente para contar as ligaduras que agora são confetis.

Este último incidente segue-se a outros dois ataques a armazéns da OMS em diferentes partes do país nos últimos três meses. Há duas semanas, um ataque destruiu um armazém humanitário da OMS em Dnipro, resultando na perda de metade dos suprimentos médicos e equipamentos destinados a apoiar cerca de 225.000 pessoas que vivem em zonas da linha da frente e de difícil acesso. Porque nada diz 'preocupamo-nos com os civis' como destruir as coisas de que precisam para sobreviver.

E para não perder o hábito, outro armazém na oblast de Kiev foi danificado durante uma vaga de ataques em grande escala a Kiev e à região em julho. O Sr. Lindmeier observou que os suprimentos médicos humanitários são uma tábua de salvação para as pessoas que precisam de cuidados de saúde, e que os ataques a armazéns podem atrasar ou interromper a entrega de apoio essencial de saúde. Não me diga.

A OMS está cada vez mais preocupada com o padrão crescente de ataques a instalações de armazenamento humanitário em todo o país. Em 2026, pelo menos 20 ataques afetaram armazéns que guardavam suprimentos humanitários, incluindo 15 ataques a armazéns com suprimentos relacionados com a saúde. O Sr. Lindmeier sublinhou que as localizações das instalações da ONU e da OMS são conhecidas por todas as partes através de acordos de desconflito estabelecidos. 'Todos os armazéns, todas as localizações da ONU, todas as localizações da OMS, estão desconflitadas. As localizações são comunicadas a todos os lados', disse. No entanto, de alguma forma, continuam a ser atingidos. Curioso.

Apesar do bombardeamento contínuo, a OMS continua a trabalhar com parceiros de saúde na Ucrânia para garantir que os suprimentos médicos essenciais chegam às instalações de saúde e às comunidades. Foram identificados acordos alternativos de armazenamento, e estão em curso esforços para avaliar os danos e substituir os suprimentos perdidos. Em 2026, a resposta humanitária da OMS incluiu o fornecimento de equipamentos e suprimentos a mais de 300 instalações de saúde, incluindo centros de cuidados primários, hospitais, laboratórios e centros de trânsito, apoiando o sistema de saúde para alcançar três milhões de beneficiários.

Desde o início da invasão em grande escala da Rússia em 24 de fevereiro de 2022, a OMS verificou mais de 3.000 ataques a cuidados de saúde, incluindo ataques a instalações de saúde, ambulâncias, suprimentos médicos e armazéns. Neste ponto, pode-se perguntar se o processo de 'desconflito' envolve enviar as coordenadas com um simpático smiley, mas aparentemente, nem isso é suficiente.