A Ucrânia sugeriu um cessar-fogo indefinido esta semana, mas, numa reviravolta que não surpreende absolutamente ninguém, a Rússia supostamente o violou repetidamente. As acusações mútuas chegam bem a tempo para o desfile do Dia da Vitória em Moscou, onde ambos os lados provavelmente reivindicarão superioridade moral enquanto os combates continuam.

O presidente do Conselho Europeu, António Costa, propôs que a UE “se organize” para conversas com a Rússia, o que parece sensato até lembrarmos que a Rússia não tem exatamente aparecido à mesa de negociações sóbria. O próprio Costa reconheceu o obstáculo: “Antes de entrarmos na questão ‘isto é uma boa ideia?’ ‘isto é uma má ideia?’, vamos primeiro esperar para ver se realmente temos uma Rússia e um presidente russo dispostos a se envolver seriamente. E até agora não vimos nenhum indício disso.”

Portanto, o grande plano da UE é essencialmente preparar-se para uma conversa com alguém que não atende o telefone há anos. Costa acrescentou que “quando chegarmos a uma situação em que tenhamos um presidente russo sério, então teremos que revisitar esse tópico… [É] talvez melhor não olhar muito longe nisso, porque acho que estamos longe de uma situação em que isso possa se materializar.” Em outras palavras, a UE está arrumando a casa, mas o lago está em chamas e os patos voaram para a Sibéria.