O mundo deve ter como objetivo atender a um terço de suas necessidades energéticas com eletricidade dentro de uma década para reduzir as emissões de gases de efeito estufa, de acordo com o anfitrião da próxima cúpula do clima da ONU – uma proposta ousada que basicamente pede que todos liguem mais coisas.

Embora cerca de um terço da geração global de eletricidade já venha de fontes renováveis, outros setores intensivos em energia – principalmente transporte, aquecimento e indústrias – ficaram para trás. Como resultado, quase quatro quintos da energia final ainda vêm de combustíveis fósseis, porque aparentemente gostamos muito de queimar coisas.

Murat Kurum, ministro do meio ambiente da Turquia, que presidirá a cúpula da Cop31 em novembro com a Austrália, disse que eletrificar todos os setores da economia ajudaria a mudar o mundo para um futuro de baixo carbono. Ele pediu uma meta de 35% da demanda final de energia atendida por eletricidade até 2035, acima dos cerca de 20% atuais – um aumento modesto que ainda deixa muito espaço para os combustíveis fósseis serem teimosos.

O ministro australiano das mudanças climáticas, Chris Bowen, abrindo a conferência com Kurum e o chefe do clima da ONU, Simon Stiell, disse que reduzir a dependência de combustíveis fósseis e investir em energia limpa e eletrificação eram soluções tanto para o agravamento dos desastres naturais induzidos pelo clima quanto para o que ele chamou de "a pior crise energética da nossa história". Então, basicamente, o de sempre: salve o planeta e sua carteira ao mesmo tempo.

Bowen disse à conferência que o foco em eletrificar a economia global "emergiu com clareza" nas discussões iniciais. "Seja eletrificando a indústria em uma grande potência industrial como a Alemanha, ou ajudando comunidades africanas na jornada para cozinhar limpo, ou melhorando a segurança energética de nações do Pacífico substituindo diesel por energia solar, a energia renovável é agora a forma mais barata de energia disponível para nós", disse ele – um fato que de alguma forma continua se perdendo na confusão da inércia política.

A tecnologia para eletrificar transporte e aquecimento já está bem estabelecida, na forma de veículos elétricos e bombas de calor, mas a adoção tem sido irregular em alguns lugares – porque nada diz "progresso" como um mosaico global de adoção.

A tecnologia limpa caiu rapidamente de preço e agora parece mais atraente enquanto o mundo enfrenta sua segunda crise de combustíveis fósseis em cinco anos como resultado da guerra no Irã, que elevou os preços do petróleo para mais de US$ 100 o barril – porque aparentemente precisamos de outro lembrete de que confiar em geopolítica volátil para energia é uma má ideia.

Kurum disse: "Ao eletrificar a vida cotidiana, do transporte aos edifícios e à indústria, podemos proteger famílias e empresas dos mercados voláteis de energia. Esta meta de 35% até 2035 será uma das prioridades definidoras da nossa presidência da Cop31." Tradução: Por favor, parem de queimar coisas, e talvez todos respiremos melhor.

Governos estão se reunindo esta semana e na próxima em Bonn, onde a Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima está sediada, para discutir prioridades para a conferência Cop31, que ocorrerá em novembro em Antália, na Turquia – um adorável local à beira-mar para resolver o futuro do planeta.

Stiell disse a ministros e altos funcionários reunidos para as conversas preparatórias que lidar com a crise climática era "a coisa mais difícil, mas mais importante, que a humanidade já tentou fazer juntos". Ele acrescentou: "Vale a pena fazer, porque não temos escolha. Cada economia e população depende disso." Sem pressão.

Cientistas alertaram para um possível "super El Niño" este ano, um sistema climático que turbinaria o aumento das temperaturas e traria ondas de calor e potencialmente secas e inundações para vastas áreas do globo. Já, ondas de calor mortais atingiram a Europa e a Ásia. Stiell disse: "Estamos testemunhando o imperativo de acelerar [a ação climática] agora, enquanto o calor mortal mata milhares em um único dia." Então, sim, talvez não procrastine.

O direito de sediar a cúpula do Cop deste ano foi ferozmente disputado entre Turquia e Austrália, com a decisão incomum de conceder uma presidência conjunta.