O chefe da polícia polonesa, Marek Boron, confirmou no sábado que seis pessoas foram mortas no tiroteio em Cracóvia: quatro mulheres e dois homens — três mulheres polonesas, um cidadão britânico e duas vítimas ainda não identificadas. Dezesseis pessoas ficaram feridas, incluindo o suspeito, e cinco dos feridos são estrangeiros, segundo o ministro do Interior, Marcin Kierwiński. Entre os feridos está uma mulher portuguesa, informou o Ministério das Relações Exteriores de Portugal. Então, um incidente internacional, portanto.

O primeiro-ministro Donald Tusk chamou o ataque de ato de "terrorismo". "Até agora na Polônia não tivemos casos tão drásticos de terrorismo", disse ele a repórteres em Cracóvia, acrescentando: "É assim que temos que chamar este ataque cruel contra a vida das pessoas aqui em Cracóvia." Ele também alertou contra a desinformação que circula online, presumivelmente porque a primeira resposta da internet a uma tragédia é sempre uma lufada refrescante de especulação não verificada. Ele agradeceu à polícia por sua resposta rápida, dizendo que eles "salvaram muitas vidas". O inspetor-chefe da polícia, Marek Boroń, confirmou que agentes armados responderam em três minutos após o primeiro relato. Dois policiais ficaram gravemente feridos e permanecem no hospital, elogiados por suas ações "heroicas".

O suspeito de atirar é um polonês de 25 anos com visões "ultranacionalistas", disse Kierwiński, observando que "tudo indica que o atirador foi influenciado pela ideologia de extrema-direita, uma questão que também será objeto de investigação". O porta-voz da polícia, Andrzej Fijolek, disse à TVN 24 que o agressor usou um rifle AR-15 e tinha licença de porte de arma. O ministro da Defesa, Władysław Kosiniak-Kamysz, rejeitou relatos de que o atirador era soldado, afirmando: "O homem não era e não é soldado das Forças Armadas Polonesas e nunca teve nada a ver com os militares." Então esse é um boato oficialmente desmentido, pelo menos.

Tusk também revelou que os corpos de duas mulheres e um homem — muito provavelmente familiares do atirador — foram encontrados mortos dentro de sua casa, descobertos por imagens de drone acima do imóvel. Os corpos foram encontrados após o tiroteio, no qual o atirador disparou de um carro no coração da cidade do sul. Uma testemunha de 67 anos chamada Julek disse à Reuters que viu um carro escuro aparecer de repente antes de o motorista começar a atirar em um grupo de pessoas e ir embora. "Se tivéssemos chegado dois minutos antes, poderíamos ter sido baleados", disse ele. Outra testemunha, Konrad, disse ao Interia: "Vi tiros sendo disparados pela janela do lado do motorista, e fumaça saindo. Corri para a delegacia na praça principal; quando entrei, estava cheia de pessoas escondidas no chão."

A Polônia observará dois dias de luto nacional no domingo e na segunda-feira, disse Tusk. O prefeito de Cracóvia, Łukasz Gibała, declarou a cidade em luto oficial até quarta-feira, mas prometeu que Cracóvia permanecerá aberta a visitantes. "A praça será nossa novamente", disse Gibała em um vídeo postado no X. O primeiro-ministro britânico, Andy Burnham, escreveu no X: "Estou chocado e triste com o terrível tiroteio em Cracóvia hoje. Meus pensamentos estão com as famílias daqueles que perderam a vida, todos os feridos e todos os afetados por essa violência sem sentido. O Reino Unido está em solidariedade com o povo da Polônia." Tusk acrescentou no X: "Minhas mais profundas condolências às famílias e entes queridos das vítimas do trágico ataque em Cracóvia. O mais alto elogio aos heroicos policiais que arriscaram suas vidas. E um apelo sincero aos políticos de todas as tendências: não explorem esta tragédia. Estabeleceremos todas as circunstâncias deste crime." Um apelo que, historicamente, tem uma taxa de sucesso mista.