SÃO FRANCISCO — A SpaceComputer, uma startup baseada em Cingapura com ambições de conectar o cosmos, está se preparando para provar que sua infraestrutura de computação distribuída realmente funciona em órbita ainda este ano. Porque qual é a graça de ter satélites se eles não podem fofocar com segurança uns com os outros?

O produto de estreia da empresa, o Space Fabric, é uma arquitetura de hardware e software que usa elementos de computação fisicamente isolados para conectar estações terrestres a satélites e permitir que esses satélites compartilhem recursos computacionais. As placas de circuito impresso (PCBs) do Space Fabric estão sendo preparadas para lançamento em outubro a bordo de algum satélite sobre o qual a SpaceComputer está sendo discreta. Apostamos que não é um balão meteorológico.

Apesar de todo o dinheiro sendo investido em data centers orbitais e outras infraestruturas espaciais, "ainda não se pensa muito sobre a internet espacial", disse o cofundador Daniel Bar, um empreendedor de blockchain, ao SpaceNews. Porque aparentemente, lançar coisas no espaço é mais fácil do que descobrir como fazê-las conversar entre si sem um filtro de spam cósmico. Bar defende "uma abordagem aberta e orientada a protocolos" para que diferentes partes interessadas possam interagir em vez de operar em silos — um conceito radical que funcionou muito bem para a internet terrestre, exceto por todos os vídeos de gatos.

Bar e o cofundador Filip Rezabek, um estudante de doutorado da Universidade Técnica de Munique focado em segurança de redes, acreditam que "o espaço, como a próxima fronteira digital, evoluirá como a internet: aberto, interoperável e baseado em protocolos públicos que dependem de segurança criptográfica e fortes garantias de integridade de dados". Em outras palavras, eles querem que o espaço cresça e se torne a internet, mas com menos violações de dados e golpes de NFT, espera-se.

As PCBs do Space Fabric gerarão chaves criptográficas para proteger dados "em órbita, para que não haja necessidade de confiar em nós ou nos operadores que executam o Space Fabric", disse Bar. Para ter certeza extra, eles adicionaram "redundância de dois elementos seguros diferentes que atestam um contra o outro". Porque mesmo no espaço, você precisa de um backup para o seu backup, e a desconfiança mútua é uma característica, não um bug.

Os casos de uso do Space Fabric incluem computação segura, comunicações e verificação de proveniência para dados geoespaciais — basicamente, garantir que seus dados de satélite não foram adulterados por piratas espaciais ou IA rebelde.

A SpaceComputer também está desenvolvendo o Orbitport, uma interface de programação de aplicações (API) que atua como um gateway seguro conectando satélites e cargas úteis à computação terrestre. Rezabek diz que o Orbitport tornará a interação com provedores de estações terrestres "uma experiência mais integrada". Porque nada diz "integrado" como adicionar outra camada de complexidade às operações espaciais.

Desde sua fundação em 2024, a SpaceComputer levantou US$ 10 milhões em financiamento pré-semente e semente. Os conselheiros incluem a professora de ciência da computação da Universidade da Califórnia, Santa Bárbara, Dahlia Malke, e Will Heltsley, ex-vice-presidente de propulsão da SpaceX — presumivelmente não por suas opiniões sobre blockchain.