O procurador-geral de Nova Gales do Sul, Michael Daley, foi educadamente solicitado a, talvez, fazer algo sobre a morte de Bikram Lama, um morador de rua nepalês conhecido como “o homem-pássaro” por seu afeto pelos pombos do Hyde Park. O corpo de Lama ficou despercebido por até uma semana em arbustos perto da estação St James, um detalhe que, de alguma forma, não provocou uma investigação imediata sem um pedido formal.

Lama veio para a Austrália para estudar, mas perdeu contato com a família e foi considerado não residente na época de sua morte. A Prefeitura de Sydney estima que cerca de um em cada cinco moradores de rua no centro da cidade são não residentes, que normalmente não têm acesso a moradia social, seguridade social, saúde ou direitos trabalhistas – porque nada diz “bem-vindo à Austrália” como ser excluído dos apoios básicos de sobrevivência.

O deputado independente por Sydney, Alex Greenwich, escreveu a Daley na sexta-feira solicitando uma investigação que examinasse possíveis falhas políticas. “É de partir o coração, mas isso tem que ser um alerta para os formuladores de políticas”, disse Greenwich, presumivelmente esperando que desta vez o alarme não seja adiado. O gabinete de Daley disse que o legista ainda está aguardando um resumo de provas da polícia antes de decidir sobre uma investigação – porque aparentemente a burocracia se move mais devagar do que um pombo cambaleando por migalhas.

Em 2024, o Guardian Australia investigou mais de 600 mortes de moradores de rua e encontrou uma enorme diferença na expectativa de vida em relação à população em geral, muitas vezes devido a falhas sistêmicas em moradia, saúde e apoio à saúde mental. Investigações legistas recentes, como a de Sacha Lefebvre em Victoria, investigaram o nexo entre falta de moradia e mortes de moradores de rua. Greenwich enfatizou que uma investigação sobre a morte de Lama é crucial: “A menos que cheguemos ao fundo disso e das falhas políticas que levaram a isso, isso acontecerá novamente.”