Um conselho nomeado por Trump divulgou um plano para reformular fundamentalmente a Agência Federal de Gerenciamento de Emergências (FEMA), propondo transferir as responsabilidades de resposta a desastres para estados e governos locais, enquanto a crise climática continua tornando eventos climáticos extremos mais frequentes e severos. O "Conselho de Revisão da FEMA", de 12 membros - co-presidido pelo Secretário de Segurança Interna Markwayne Mullin e pelo Secretário de Defesa Pete Hegseth - declarou que é "hora de fechar o capítulo da FEMA", recomendando que a agência assuma "um papel mais de apoio" sob a doutrina de que a resposta a desastres deve ser "executada localmente, gerenciada por estados ou tribos, e apoiada federalmente".

Críticos observam que o relatório de 74 páginas usa a palavra "clima" exatamente uma vez, com zero referências à crise que está potencializando os próprios desastres que o sistema deveria gerenciar. Shana Udvardy, analista sênior de políticas de resiliência climática da Union of Concerned Scientists, disse que o conselho "perdeu completamente o momento em que estamos agora". As recomendações incluem exigir que os estados cumpram limites mais altos para declarações de desastres, deixar evacuação e abrigo para os locais, limitar pagamentos a proprietários de imóveis, substituir o programa de assistência pública da FEMA por pagamentos únicos em até 30 dias, reduzir auditorias e revisões ambientais federais, e empurrar o mercado privado para assumir o Programa Nacional de Seguro contra Inundações - que já carrega mais de US$ 20 bilhões em dívidas.

Enquanto isso, a administração Trump já cortou centenas de milhões em financiamento de preparação, a FEMA perdeu cerca de um terço de seus funcionários em tempo integral no ano passado, e o presidente negou muito mais declarações de desastres do que seus antecessores. Os danos causados por desastres climáticos e meteorológicos no primeiro semestre de 2025 ultrapassaram US$ 101 bilhões - "de longe o primeiro semestre mais caro de qualquer ano desde 1980", segundo o Dr. Adam Smith, agora no Climate Central depois que a administração Trump descontinuou o banco de dados federal que rastreava esses custos. O Dr. Andrew Rumbach, do Urban Institute, observou que muitos governos pequenos nem sequer têm departamentos dedicados de gerenciamento de emergências e "dependem muito da FEMA". Rafael Lemaitre, ex-diretor de relações públicas da FEMA, agora no Sabotaging Our Safety, resumiu: "Você não pode cortar seu caminho para uma agência de resposta a desastres capaz."