Nancy Pelosi finalmente entrou na corrida para sucedê-la no Congresso, endossando a supervisora de São Francisco Connie Chan como a candidata que, nas palavras de Pelosi, "se destaca acima das demais". Este endosso veio com todo o timing dramático de um trem em câmera lenta chegando a uma estação: as cédulas de voto pelo correio já estão chegando antes da primária de 2 de junho, mas, ei, antes tarde do que nunca.
Pelosi, a primeira mulher a servir como presidente da Câmara, está se aposentando no final de seu mandato após quase 40 anos representando São Francisco. Em uma carta aos moradores, ela alertou que "liberdades fundamentais e valores democráticos estão sob ataque" e declarou Chan a "líder mais bem preparada para levar adiante a luta por São Francisco no Congresso". Em um vídeo divulgado na segunda-feira, Pelosi senta ao lado de Chan - uma democrata progressista com laços com sindicatos locais - com a Ponte Golden Gate ao fundo, dando-lhe tapinhas nas costas como uma tia orgulhosa.
O endosso de Pelosi ocorre enquanto pesquisas mostram Chan em uma disputa acirrada por uma das duas primeiras vagas na primária de 2 de junho, ao lado do senador estadual Scott Wiener (conhecido por defender a produção habitacional e os direitos LGBTQ+) e Saikat Chakrabarti, ex-executivo de tecnologia e primeiro chefe de gabinete de Alexandria Ocasio-Cortez, que tem sido um crítico ferrenho de Pelosi e da liderança democrata. Ocasio-Cortez, por sua vez, recusou-se a endossar alguém, talvez esperando uma oferta melhor.
Sob o sistema de primárias da Califórnia, os dois primeiros colocados - independentemente do partido - avançam para a eleição geral de novembro. Pesquisas recentes mostram Chan efetivamente empatada com Chakrabarti pelo segundo lugar, atrás de Wiener. Portanto, o endosso de Pelosi pode virar o jogo, ou pode ser o equivalente político a entregar um mapa para alguém que já começou a dirigir.
Pelosi destacou a "importante experiência de vida" de Chan como mulher, mãe e imigrante asiático-americana. Chan nasceu em Hong Kong e imigrou aos 13 anos com sua mãe e irmão mais novo para São Francisco, onde moraram em um apartamento de um quarto em Chinatown. Se eleita, ela seria a primeira asiático-americana a representar São Francisco no Congresso - um marco que nem mesmo os 40 anos de mandato de Pelosi conseguiram alcançar.