A França se prepara para grandes protestos na terça-feira, depois que organizadores convocaram um dia nacional de ação em apoio a estudantes que exigem mais investimento em educação. Porque nada diz "invistam em nosso futuro" como uma greve nacional, o país agora se prepara para a segunda rodada de manifestações que já contaram com bloqueios, gás lacrimogêneo e pelo menos uma mão que não está mais presa ao seu dono.

Na semana passada, estudantes bloquearam centenas de escolas, pelo menos 190 alunos ficaram feridos e mais de 5.000 pessoas foram detidas. Um estudante teve a mão arrancada durante um confronto na segunda-feira, enquanto outro teria sido atingido na cabeça por uma granada de gás lacrimogêneo na semana passada. O primeiro-ministro da França disse que o governo anunciou medidas para atender às suas demandas, mas a Union Syndicale Lycéenne (USL), uma das principais organizadoras dos protestos, afirmou que o governo não ofereceu "nada concreto". A organização convocou as pessoas a se juntarem à sua mobilização na terça-feira diante "deste impasse político e do que descrevemos como repressão sem precedentes ao movimento". Algumas outras organizações também demonstraram apoio aos estudantes, com o sindicato de professores SNES-FSU instando seus membros a se juntarem ao protesto de terça-feira. Porque quando a juventude está furiosa, os professores nunca estão muito atrás.

O líder do partido de esquerda radical La France Insoumise (LFI), Jean-Luc Mélenchon, descreveu os protestos como o "movimento juvenil de estudantes do ensino médio e universitário mais poderoso" desde 1968 — um ano de grandes distúrbios, que viu milhões de trabalhadores entrarem em greve. Então, essencialmente, 1968: A Sequência, agora com mais smartphones e menos boinas.

A onda de manifestações começou em setembro em Paris e se espalhou pelo país, com estudantes protestando por uma série de questões, incluindo salas de aula superlotadas, prédios deteriorados e falta de professores. Os protestos foram iniciados por estudantes do ensino médio, que mais tarde foram acompanhados por estudantes universitários. No domingo, o primeiro-ministro francês, Sébastien Lecornu, anunciou uma série de medidas para "abordar as dificuldades enfrentadas por estudantes do ensino médio e funcionários da educação", prometendo "mudanças visíveis" nas escolas. No entanto, ele também disse: "Não faremos concessões à violência. Apoiamos estudantes e funcionários que foram agredidos, bem como policiais e gendarmes que ficaram feridos." A agitação não apenas bloqueou escolas, mas também incendiou lixeiras. O ministro da Educação, Édouard Geffray, disse que 24 escolas foram "incendiadas e saqueadas" desde o início dos protestos. Porque nada diz "precisamos de salas de aula melhores" como atear fogo nas atuais.

Confrontos violentos entre estudantes e a polícia levaram a ferimentos graves ao longo dos protestos até agora. Na segunda-feira, a mão de um menino de 15 anos foi arrancada durante um confronto perto de uma escola na cidade de Lens, no norte. O estudante foi transferido para um hospital próximo e seu ferimento não é fatal, segundo autoridades. Na semana passada, Eden, 14 anos, ficou gravemente ferido em Saint-Ouen-l'Aumône após supostamente ser atingido na cabeça por uma granada de gás lacrimogêneo. O estudante sofreu "uma fratura dupla na mandíbula" e teve que passar por "uma cirurgia extremamente importante", segundo seu advogado. Falando em uma coletiva de imprensa na segunda-feira, a mãe de Eden disse que seu coração estava "despedaçado". "É vergonhoso, é terrível, é violento, é horripilante", relatou a emissora francesa BFMTV, citando-a. "Isso não deveria acontecer. Eles estão lidando com crianças que pedem melhores condições para estudar." Entre as 5.060 pessoas detidas desde o início do movimento, 87% eram menores de idade e 13% eram adultos, segundo o Ministério da Justiça da França. Quatorze pessoas teriam sido colocadas em detenção preventiva, enquanto 1.802 pessoas enfrentam processos, incluindo 319 adultos e 1.483 menores. A USL acusou a polícia de usar força excessiva contra os manifestantes. Respondendo a essa alegação na semana passada, o ministro do Interior, Laurent Nuñez