Fawzia Koofi, ex-política afegã e defensora dos direitos das mulheres, teve uma semana difícil recentemente. O Talibã prendeu três membros de sua família, manteve-os em cativeiro, torturou um e confiscou sua casa. Ela estava prestes a escrever para diplomatas europeus pedindo ajuda quando soube que a UE está convidando autoridades talibãs para Bruxelas para uma visita amigável. Porque, aparentemente, depois de quase cinco anos de opressão, a melhor maneira de lidar com o apartheid de gênero é oferecer aos perpetradores uma boa xícara de café.
Vamos fazer um balanço desses cinco anos. Nenhuma escola oficial para meninas além da sexta série, enquanto o Talibã felizmente abriu milhares de escolas religiosas onde as meninas podem frequentar sem restrições. As mulheres são proibidas de se tornarem médicas, o que fez disparar a mortalidade materna e infantil. Elas são excluídas do mercado de trabalho, forçando muitas a mendigar nas ruas. Enquanto isso, um pássaro no Afeganistão tem mais proteção legal do que uma mulher afegã. O convite da UE ao Talibã é, como Koofi diz, um tapa na cara. Ela pede leis para parar o apartheid de gênero e acabar com a impunidade, porque para as mulheres e meninas afegãs, é uma questão de sobrevivência.