O comentarista de direita Milo Yiannopoulos, um homem que uma vez aplaudiu as batidas da ICE, encontra-se agora do lado receptor de uma. O provocador britânico de 41 anos está sob custódia da ICE na Louisiana, aguardando deportação depois que um juiz ordenou sua remoção em julho.

O Departamento de Segurança Interna, com a sutileza de uma marreta, referiu-se a ele como "um estrangeiro ilegal do Reino Unido" e observou que ele "escolheu exceder as boas-vindas em violação às leis do nosso país". Ele foi preso em 27 de agosto no aeroporto de Nova Orleans, tendo voado para os EUA em maio de 2019 - aparentemente sob a impressão de que "exceder" era apenas uma sugestão.

Yiannopoulos, que uma vez se autodenominou o "supervilão mais fabuloso da internet", tem um histórico de cortejar controvérsias. Ele escreveu colunas com títulos como "Controle de Natalidade Torna as Mulheres Poco Atraentes e Loucas" e "Você Preferiria Que Seu Filho Tivesse Feminismo ou Câncer?" - porque nada diz "discurso ponderado" como comparar feminismo a uma doença mortal.

Seus críticos o chamam de fornecedor de discurso de ódio, e ele enfrentou reações negativas por comentários sobre transgêneros, muçulmanos, Black Lives Matter, feministas e gays - apesar de já ter se identificado como gay. Ele agora se autodenomina "ex-gay", o que é certamente uma maneira de se reinventar.

Em uma reviravolta que seria irônica se não fosse tão previsível, Yiannopoulos já defendeu a "deportação imediata para qualquer um que não possa provar que está nos EUA legalmente" e escreveu no ano passado: "Imunidade legal total para agentes da ICE quando estão em serviço". Ele também postou em 2025: "Temos que deportar milhões e milhões de pessoas. Sem isso, nada mais importa."

Agora, ele está experimentando em primeira mão o seu próprio remédio. Laura Loomer, uma comentarista de extrema direita e aliada de Trump que já brigou com Yiannopoulos, assumiu o crédito por sua prisão, alegando que seu voo de volta ao Reino Unido já havia partido e que o DHS lhe disse que ele "NUNCA mais poderá voltar".

Yiannopoulos foi um apoiador inicial de Trump, encabeçando um evento "Gays for Trump" durante a Convenção Nacional Republicana de 2016. Mais tarde, ele se tornou um crítico, postando em março que Trump "perdeu o caminho, comprado por interesses estrangeiros". Ele também ajudou na candidatura presidencial de Kanye West em 2020 e trabalhou para Marjorie Taylor Greene, a ex-congressista que rompeu com Trump.

Sua história inclui ser desconvite da CPAC em 2017 depois que um vídeo surgiu mostrando-o aparentemente condescendendo com a pedofilia - ele negou as alegações, dizendo que estava falando sobre suas próprias experiências de infância - e ele renunciou ao Breitbart logo depois.

A BBC perguntou à embaixada britânica por comentários, mas Yiannopoulos não respondeu. Talvez ele esteja ocupado fazendo as malas.