Bem-vindo a um 'momento profundo para a humanidade', segundo o CEO do Google DeepMind, Demis Hassabis, que encerrou a palestra principal do Google I/O na terça-feira anunciando que estamos nos 'pés da singularidade'. Este é o mesmo cara que disse à Bloomberg há apenas alguns meses que 'não estamos nem perto disso' e que temos '50% de chance de chegar lá até 2030'. Ou ele tem caminhado muito rápido, ou a definição de 'pés' ficou muito mais generosa.
Pouco antes de soltar a bomba da singularidade, Hassabis apresentou o Gemini for Science, um conjunto de ferramentas e experimentos no Google Labs e no Google Antigravity projetados para ajudar na pesquisa científica. Com essas ferramentas, o Google espera 'reinventar a descoberta de medicamentos com o objetivo de um dia curar todas as doenças'. Porque nada diz 'curar todas as doenças' como um comunicado de imprensa em uma conferência de desenvolvedores. Executivos de tecnologia adoram esse tipo de conversa - o CEO da Microsoft, Satya Nadella, chama a IA de 'ferramenta amplificadora cognitiva', e o CEO da Luma AI, Amit Jain, afirmou no ano passado que a IA é a chave para salvar Hollywood. Se a IA salvar tanto a ciência quanto o cinema, podemos ficar sem problemas.
A definição de 'singularidade' de Hassabis também é um alvo móvel. Ele disse à Bloomberg que 'a singularidade é outra palavra para a chegada de uma IAG completa', o que não é bem o que Vernor Vinge e Ray Kurzweil tinham em mente. Mas ei, quando você está nos pés, pode redefinir a montanha como quiser.